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O desafio de criar filhos sem machismo
Já me disseram que a tarefa mais difícil é educar um filho homem, pois ele pode ser inserido involuntariamente no sistema machista. Mas acredito que a tarefa de educar uma filha mulher é igualmente importante, pois o machismo estrutural afeta os dois lados. Então como ajudar nossos filhos a enfrentar essa estrutura? Primeiro, vamos entender qual é nosso papel de pais conscientes nessa história toda.
Eu sempre digo nas minhas rodas de conversa, que somos a nova geração de pais transformados, não seguimos os padrões de educação que herdamos dos nossos antepassados, queremos construir uma criação com um olhar mais acolhedor e sem bloqueios emocionais para nossos filhos. Então separei algumas reflexões que acho importantes para a construção dessa nova criação:
Criança não namora! (de jeito nenhum)
Essa observação é simples e direta, mas alguns adultos ainda insistem em criar ilusões de que crianças namoram. Quantas vezes já ouvi frases como essas em espaços de brincar:
- “Agora ele está gostando, tem um monte de menininha aqui”
- “Filha, ele é muito novinho para você, ele ainda é um bebê”
- “Olha lá, tá pegando!”
Criança não é príncipe ou princesa
A não ser que eles tenham nascido em uma família real, crianças não tem títulos. Criar rótulos para crianças só fortalece a indústria do consumo de gêneros, a qual, por sua vez, fortalece a estrutura do machismo. Pesquisas mostram que homens que foram estimulados a rótulos em sua infância, tendem a desenvolver maior insegurança e falta de responsabilidade em sua vida adulta.
Criança imita adulto
As crianças são como esponjas, absorvem tudo que observam. Então para empoderar meninas e conscientizar meninos, saiba que primeiro você deve se empoderar ou se conscientizar, dica fácil essa!
Criança não sabe o que é sexo, mas sabe o que é sexualidade
Ponto delicado para muitos pais, o assunto sexualidade continua sendo um tabu para muitos homens, como dizer para sua filha o que é vagina, ou o que é pênis para seu filho. Mas o assunto é extremamente importante, pois os casos de violência sexual infantil vêm crescendo a cada ano. Ensinar os pequenos que o corpo deles é de propriedade exclusiva deles e ninguém pode tocá-lo sem permissão é no mínimo informação de utilidade pública. O assunto é tão importante que vou enfatizar a recomendação a seguir.
NÃO CRIAR NOMES PARA OS ÓRGÃOS GENITAIS, tais como “pepeca” “piriquita” “pirulito” “piupiu” entre outros. Isso cria uma porta de entrada para pessoas má intencionadas iludirem seus filhos. Fale abertamente sobre a sexualidade dos seus filhos, eles vão
entender melhor do que você imagina.
Criança gosta de brinquedo e não de diferença de gêneros
Último ponto dessa reflexão é sobre a indústria do consumo que gera a diferença de gênero, como já falei no ponto acima. Lembrem: crianças gostam de brincar (com ou sem brinquedo), isso significa que não existe brinquedo para menina ou para menino, afinal por que diabos meninos não podem brincar de boneca?
Leia também: O que os meninos aprendem ao brincar de casinha
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Mauricio Maruo
É pai da Jasmim e do Kaleo, e companheiro da Thais. Formado como artista plástico, atua como educador parental desde 2016. É fundador do "Paternidade Criativa", uma empresa de impacto social que cria ferramentas de transformação masculina através do gatilho da paternidade. Criador do primeiro jogo de Comunicação Não Violenta direcionado para pais e crianças do Brasil.
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