Ciência descobre como o corpo da mãe detecta que é hora de começar o trabalho de parto

Canais presentes no útero entendem quando é o momento de expulsar o bebê e isso pode ajudar a prevenir nascimentos prematuros ou mudar estratégias de indução de parto no futuro. Entenda!
Cientistas descobriram que o útero possui “canais” que sabem exatamente a hora de o bebê nascer Foto: Freepik

Por muito tempo, aprendemos que o início do parto é comandado principalmente por hormônios. Agora, um novo estudo sugere que o corpo usa também outro tipo de sinal: a força física. Em outras palavras, o útero não só cresce com o bebê, mas também “percebe” o quanto está esticado. Essa informação é, então, utilizada para desencadear o trabalho de parto.

A pesquisa, publicada em 2025 na revista Science, identificou o papel de sensores celulares chamados canais PIEZO. Estes sensores funcionam como detectores de pressão e estiramento. À medida que a gravidez avança e o útero se expande, eles captam a tensão mecânica nos tecidos e transformam esse estímulo físico em sinais biológicos, que ajudam a coordenar as contrações. É como se o corpo combinasse dois tipos de relógio: um químico (hormonal) e outro mecânico (físico) para decidir quando o bebê está pronto para nascer.

Os cientistas observaram que os canais PIEZO influenciam a atividade do músculo uterino, contribuindo para que as contrações fiquem mais organizadas e eficazes no momento do parto. Isso ajuda a explicar por que fatores físicos, como o crescimento do bebê, a distensão do útero ou alterações na estrutura uterina, podem impactar partos prematuros, tardios ou prolongados.

Além de ampliar a compreensão sobre como o parto começa, o estudo abre caminho para novas possibilidades médicas no futuro, como tratamentos para reduzir o risco de parto prematuro ou estratégias mais precisas para indução do parto, respeitando os mecanismos naturais do corpo.

O parto é um processo profundamente integrado entre corpo, tempo e biologia. Isso quer dizer que é muito mais do que uma questão de data no calendário, mas é toda uma dança sincronizada do organismo, que se prepara, pouco a pouco, para o momento do nascimento. A pesquisa ajuda a valorizar a complexidade do corpo feminino e pode contribuir, no futuro, para que mais mulheres tenham partos personalizados, seguros e respeitosos. O conhecimento muda vidas, processos e é capaz de transformar a forma de nascer.

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