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Aprendizado: O inglês ideal

Por Camila Queres*

O que países como Holanda, Malásia, Portugal e Singapura têm em comum? Segundo a pesquisa global da Education First (EF), eles estão no topo da lista dos países em que melhor se fala inglês. “Mas falam com ou sem sotaque”, perguntariam alguns? As avaliações de proficiência mensuram questões relacionadas à pronúncia, claro, mas desconsideram o sotaque, ou seja, a interferência da língua materna no ritmo e na cadência da fala. No Brasil, por outro lado, encontro frequentemente pais que procuram berçários bilíngues para bebês de, pasmem, 4 meses. São pais ansiosos para oferecer aos filhos o inglês de um nativo, sem sotaque, e que acabam, muitas vezes, comprando gato por lebre. Ao mesmo tempo, conheci adolescentes bilíngues, com certificados de alta proficiência em inglês, carregando um lindo sotaque latino.
No berçário, a educadora insere comandos, canta e brinca em inglês. Em família, o bebê recebe comandos, canta e brinca em português, sua língua nativa. Já me deparei com casos em que a educadora, usando batom vermelho, para chamar atenção para os lábios, tentava arrancar do bebê um “hi” ou um “bye”, sem que este fosse sequer capaz de falar “mamãe” ou “papai”, assim, em português mesmo. Pé no chão, bagunça na água, autonomia de locomoção e aquisição da língua materna devem mesmo ficar em segundo plano na rotina de um bebê? Essa é uma necessidade minha, enquanto mãe, de oferecer “o melhor”, ou é uma necessidade do meu filho? “Quero oferecer o melhor ao meu filho”.
“Hoje posso dar ao meu filho oportunidades que eu mesma não tive”. Ouço frequentemente essas afirmações e, como mãe e educadora, me policio para entender o que é “o melhor para o meu filho hoje”, e não o que teria sido melhor para mim há 30 anos. Na Ivy League, grupo formado por oito das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos – Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale –, sotaques diversos marcam o inglês de professores e alunos. No mundo dos negócios, o mesmo acontece com CEOs e empresários.
Por que insistimos em eliminar por completo justamente o que hoje temos de mais interessante em relação ao inglês como língua global, que é a diversidade? Nosso bebê precisa se tornar um “native speaker” ou precisa dominar o inglês como ferramenta de comunicação? Sem ansiedade, com outra mentalidade, os pais devem refletir sobre o que e quanto seus filhos precisam aprender de biologia, física e também de uma segunda língua. Estamos no mundo do raciocínio, das redes sociais, do cidadão global. Aprender inglês na primeira infância é importante, mas sem pressa, a seu tempo, com carga horária suficiente, na escola certa para cada criança.
Camila Queres é educadora infantil e mãe de Bento, de 1 ano e 10 meses, e de Joaquim, 10 meses.É formada em Letras pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e tem pós-graduação em Gestão e Educação. Trabalhou na Escola Britânica do Rio de Janeiro e na Chapel School, em São Paulo. Hoje está no comando do berçário escola Toddler Desenvolvimento Infantil.
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