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Antes de postar a próxima foto do seu filho, veja este alerta que viralizou nas redes
O primeiro sorriso, o passeio no parque, a frase engraçadinha… Conviver com crianças faz com que sejamos testemunhas de momentos incríveis. É quase impossível não querer registrar e compartilhar com o mundo inteiro. Ainda mais hoje, que todo mundo tem um celular com câmera e internet ao alcance das mãos. Só que postar tudo pode expor as crianças e colocá-las em risco – e é sobre isso que uma nova campanha, lançada na Irlanda, mas que tem circulado o mundo, todo, pretende alertar as famílias.
O compartilhamento de fotos, vídeos e dados das crianças online é tão frequente que ganhou até nome: sharenting. O termo é uma mistura de “share” (compartilhar) e “parenting” (parentalidade) e ocorre quando os pais ou responsáveis legais têm o hábito de postar, de forma recorrente, fotos, informações e dados pessoais, incluindo informações sensíveis, dos filhos menores de idade nas redes sociais.
A campanha, lançada pelo Data Protection Comission (DPC), da Irlanda, traz uma mensagem forte. Os pais caminham com uma garotinha em um shopping, onde ela é abordada por outros adultos, que, embora sejam completos estranhos, demonstram ter informações sobre a menina, como nome, aniversário e atividades da rotina. De acordo com a DPC, os pais publicam em média 63 fotos dos filhos a cada mês, sendo que apenas 20 imagens já são suficientes para gerar um deepfake [mídias, como vídeos, áudios ou imagens, criadas ou manipuladas com ajuda de inteligência artificial para fazer parecer que alguém disse ou fez algo que, na verdade, nunca aconteceu] convincente. Outro dado que levanta uma enorme bandeira vermelha é o de que 50% das imagens de crianças encontradas em fóruns criminosos foram postadas inicialmente pelos próprios pais.
Um estudo recente, realizado por pesquisadores italianos, revelou que cerca de 75% dos pais que usam redes sociais declararam já ter postado conteúdo sobre seus filhos. De acordo com um relatório divulgado pela Children’s Commissioner, em média, uma criança tem 1.300 fotos publicadas nas redes antes de completar 13 anos.
Quando postamos cada detalhe do cotidiano dos nossos filhos, com fotos de banho, brinquedo novo, comemorações e datas especiais, temos boas intenções: queremos dividir alegria, orgulho, registrar crescimento. Mas essas imagens, mesmo as mais inocentes, podem ser vistas por desconhecidos, copiadas, espalhadas — sem nosso controle. O armazenamento digital — esse rastro virtual — tende a durar para sempre.
Entre os riscos da superexposição de menores estão:
- Perda de privacidade e controle sobre o que é postado, já que conteúdos podem ser salvos, editados, compartilhados e até manipulados;
- Uso indevido das imagens por pedófilos e exploradores sexuais, que utilizam fotos inocentes para reproduzi-las em redes criminosas;
- Revelação de detalhes privados do cotidiano, aumentando a ação de criminosos, como risco de sequestro ou perseguição;
- Bullying e cyberbullying, afinal o que parece engraçado hoje pode tornar-se um gatilho de humilhação e comentários odiosos.
No fundo, compartilhamos porque queremos celebrar momentos importantes e conquistas. Mas vale a reflexão: precisamos mesmo de todo esse histórico exposto? Ou parte das memórias podem existir guardadas, em álbuns privados, em computadores, em nuvens — mas longe da rede pública?
Não se trata de demonizar o sharenting. Ele existe, funciona, aproxima pessoas, ajuda quem está longe a acompanhar o crescimento, conecta famílias. Mas o equilíbrio e a consciência fazem toda a diferença.
Veja aqui:
Canguru News
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