Bateria de botão: o perigo silencioso que pode corroer o esôfago do seu filho em apenas 2 horas

Pequenas e brilhantes, podem ser atraentes para crianças que adoram colocar tudo na boca. No entanto, quando engolidas, elas podem ficar presas no esôfago, causando queimaduras profundas em poucas horas. Saiba como evitar os riscos e o que fazer em caso de acidentes
Baterias de botão — aquelas pequenas, redondas — representam um risco silencioso Foto: Freepik

Baterias de botão — aquelas pequenas, redondas e brilhantes que alimentam controles, brinquedos, balanças, chaves e alguns cartões — representam um risco silencioso e subestimado dentro de muitas casas. Elas são tão minúsculas e comuns, que a gente troca quando precisa e, fora isso, não pensa mais no assunto. E é exatamente aí que mora o perigo…

Às vezes, você esquece de guardar as baterias novas em um local bem protegido e longe do alcance das crianças ou demora para descartar as que foram retiradas de algum aparelho, deixando-as à vista em casa. Mas, minúsculas e brilhantes, elas podem atrair a atenção de crianças, que podem colocá-las na boca e engoli-las sem querer.

Quando isso acontece, especialmente com menores de 6 anos, o risco é enorme! Isso porque a bateria pode ficar presa no esôfago e iniciar uma reação química que corrói o tecido em tempo surpreendentemente curto: segundo a American Academy of Pediatrics (AAP), duas horas dentro do organismo são suficientes para causar danos graves.

Por que é tão perigoso?

Ao ficar presa no esôfago, a bateria estabelece um circuito elétrico com os tecidos úmidos. Essa corrente gera uma substância alcalina conhecida como hidróxido de sódio na superfície. Para se ter uma ideia, é o mesmo tipo de lesão causada por bombas químicas, uma queimadura alcalina profunda. Em questão de minutos, a lesão já é visível e a gravidade aumenta rapidamente. A partir de duas horas, há risco de perfuração, fístula traqueoesofágica, paralisia de cordas vocais e até erosão de vasos sanguíneos maiores.

Nem todas as baterias são iguais e o risco de gravidade do contato pode variar de acordo com os diferentes tipos. As baterias de lítio (3 V), que costumam ser maiores (frequentemente com 20 mm de diâmetro) são as que mais causam impacto clínico, desde que se popularizaram no mercado. A anatomia de crianças pequenas facilita o impacto no esôfago. Quando a bateria é grande e potente, o dano ocorre mais rápido e é mais extenso.

Sinais e sintomas (nem sempre óbvios)

É comum presumir que, se algo estiver errado, a criança vai indicar, cuspindo, demonstrando que está engasgada ou chorando muito. Mas nem sempre os sinais são óbvios. É recomendado prestar atenção em sintomas possíveis, que incluem: salivação excessiva, recusa alimentar, vômito, dor ao engolir, tosse persistente, chiado, febre baixa ou sensação de desconforto inespecífico. Em muitos casos iniciais a criança parece estar bem. Por isso, a suspeita e a observação imediata são cruciais. Não espere para procurar ajuda.

O que fazer imediatamente ao suspeitar que seu filho engoliu uma bateria

  1. Procure atendimento de emergência na hora. Se houver qualquer suspeita de ingestão de bateria de botão, leve a criança ao pronto-socorro sem demora. Diretrizes pediátricas internacionais recomendam localizar a bateria por raio-X e remover imediatamente se estiver no esôfago, idealmente antes de 2 horas.
  2. Mel pode ajudar. Já a caminho do hospital, se a criança tiver mais de 1 ano e não estiver vomitando, ofereça 10 ml de mel (ou uma colher de chá para menores) a cada 10 minutos, até três doses. Isso ajuda a neutralizar parcialmente o pH local e retardar os danos. Mas atenção: além de só valer para maiores de 12 meses, por conta do risco de botulismo em bebês, lembre-se de que se trata de uma medida temporária, que não substitui a remoção urgente.
  3. Não induza vômito. Não tente provocar vômito nem remover a bateria pela boca.
  4. Não dê líquidos em excesso, não espere para ver se melhora. A conduta padrão é radiografia e remoção endoscópica urgente se estiver no esôfago.

Após a retirada, o acompanhamento é longo: lesões profundas podem evoluir de forma tardia, causando estenoses (afunilamento do esôfago) e exigindo procedimentos repetidos. Faça os exames necessários e siga as consultas recomendadas.

O melhor caminho é a prevenção

Para evitar sustos desnecessários, é importante cuidar da prevenção. Aqui, algumas dicas importantes e práticas para quem tem crianças em casa:

  •  Mantenha pilhas fora do alcance e da vista, em recipientes fechados, preferindo locais altos e trancados.
  • Tampe ou reforce compartimentos de bateria de brinquedos e controles com fita adesiva resistente; 
  • Descarte pilhas usadas com segurança; 
  •  Evite comprar produtos com compartimentos de bateria facilmente acessíveis para crianças (prefira produtos com tampas parafusadas). No Brasil, alertas de órgãos técnicos e de segurança, como o Inmetro, destacam a necessidade de medidas regulatórias e campanhas educativas.

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Veja Também